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sábado, 10 de julho de 2010

Comportamento jovem - Cigarro, portas abertas para as drogas


O cigarro é apontado pelos estudiosos como um dos grandes causadores de duas das doenças que mais matam no mundo: as cardiovasculares e o câncer. No entanto, quando associado a outras drogas, ele torna-se ainda mais perigoso. E são justamente os adolescentes e os jovens os mais expostos a essa mistura explosiva. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) constatou que, dentre os jovens com idades entre de 10 a 20 anos do Distrito Federal que fumam diariamente, 50% já experimentaram ou consomem outros tipos de drogas. O “Estudo Global do Tabagismo entre os jovens” foi realizado pela médica Márcia Cardoso Rodrigues de Sousa, para sua dissertação de mestrado, e contou com a orientação do chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Brasília, Carlos Alberto de Assis Viegas, além da participação de alunos da graduação selecionados pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic).
Segundo o estudo, o cigarro abre portas para outras drogas, sejam lícitas ou não. Entre os jovens assumidamente tabagistas, 87,5% disseram também usar álcool. Esse número cai entre os fumantes ocasionais para 73,6%. Entre os que não fumam, acontece o maior decréscimo: só 20,8% bebem. Com relação à outra substancias tóxicas, 17% relatam o consumo de drogas. No caso dos não-tabagistas, apenas 2% admitiram ter provado outras substancia tóxicas. Os entorpecentes mais citados nos questionários, por ordem de consumo, foram maconha, cocaína, crackque/merla e lança-perfuma. A pesquisa, revelou, ainda, que 10,5% dos estudantes dos níveis fundamental e médio são tabagistas. Dos 2.661 entrevistados, 8,3% fumam ocasionalmente e 2,2%, diariamente. A média de idade em que o hábito se inicia é entre 12 e 13 anos. Com relação às drogas ilícitas e às bebidas alcoólicas, o ápice do consumo entre os tabagistas ocorre, em média, aos 16 anos. Desse momento em diante, a periodicidade e a quantidade utilizada se estabilizam.


Consumo é igual entre ricos e pobres
Outra importante constatação da pesquisa é de que o consumo de drogas por adolescentes tabagistas é tão grande em escolas públicas quanto em privadasparticulares.
“- Engana-se quem imagina que, por estarem próximos dos esquemas que sustentam o tráfico, os adolescentes de níveis socioeconômicos mais baixos são mais suscetíveis ao consumo. Constatamos que os mais ricos tem tanta facilidade em de obter e usar drogas quanto os mais pobres”, diz o chefe do Serviço de Pneumoligia do Hospital Universitário de Brasília e orientador da pesquisa, Carlos Alberto de Assis Viegas.
O médico acredita, no entanto, que os números obtidos pela pesquisa, na realidade, podem ser ainda maiores, já que muitos adolescentes talvez tenham omitido informações por medo ou por insegurança.


Jovens fumantes têm cinco vezes mais chances de sofrer infarto
Ao contrário do que se tem pensado ultimamente, o risco de doenças cardíacas não atinge apenas os fumantes mais velhos. Fumantes com menos de 40 anos tem cinco vezes mais chances de sofrer infarto, conforme alerta estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), que analisou pessoas entre 22 e 64 anos em 21 países. Cientistas de vários centros médicos de Países da Europa, da China, da Austrália, Nova Zelândia e América do Norte investigaram problemas associados ao coração (ocorridos entre 1985 e 1994) que não ocasionaram morte. Depois de analisarem 23 mil casos, constataram que quatro em cada cinco vítimas de doenças cardíacas entre 35 e 39 anos eram fumantes.
Logo, homens fumantes com idades entre 35 3 39 anos têm uma probabilidade cinco vezes maior de ter um ataque cardíaco do que os não-fumantes. O resultado foi pior ainda entre mulheres fumantes da mesma faixa etária. Contatou-se que o fumo é responsável por 65& dos ataques cardíacos são fatais entre homens e por cerca de 55% entre mulheres.
Os riscos para fumantes entre 60 e 64 anos são menores porque há outros fatores que contribuem para possíveis problemas cardíacos. Pesquisadores também constataram que o fumo representa um risco elevado aos homens, provavelmente porque são mais sensíveis aos efeitos do tabagismo.
Estudos também comprovam que a faixa etária mais comum em que se inicia o vício do fumo é entre 10 e 19 anos. Tudo indica que, por estar em fase de transformações, o jovem passa por situações de estresse e insegurança. E tudo isso, somado à necessidade de fazer parte de algum grupo e ser bem aceito nele, faz com que o jovem, às vezes, siga por caminhos que não sejam os melhores para a tranqüilidade dos pais e que marcarão a formação de sua identidade. Os estudiosos observam também que há aumento no consumo de cigarros em situações de nervosismo, frustração e aborrecimento, tanto para o indivíduo adulto como para o jovem. Os estudiosos recomendam que o profissional da saúde que lida com a população mais jovem investigue como o vício começou para descobrir a melhor maneira de lidar com a situação. Para eles, a melhor forma de abordar não é criticar nem desaprovar a atitude do jovem fumante. A compreensão e a sensibilização para a questão dos malefícios que o cigarro causa em pouco tempo podem se a melhor forma de tentar resolver o problema.

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