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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Agosto não é de desgosto

As histórias e mitos que levam muitas pessoas a enxergar o oitavo mês do ano como o mais azarado deles. Ainda mais quando ele vem acompanhado de uma sexta-feira 13, como em 2010.

A fama de que agosto é um mês de azar não tem nenhuma explicação plausível. Essa parece ser uma daquelas ideias que fazem parte do senso comum de muitas pessoas, que usam os desastres e tragédias ocorridos no oitavo mês do ano, para alimentar tal pensamento. Sobre a origem do nome, o que se sabe é que se trata de uma homenagem dos romanos ao Imperador César Augusto.

As superstições e crendices populares, como a de que agosto é o mês de desgosto, são definidas pelo dicionário como crenças sem base na razão ou no conhecimento, que levam alguém a criar falsas obrigações, temer coisas inocentes, depositar confiança em algo absurdo, sem nenhuma relação racional entre os fatos e as supostas causas a eles associados. É aquilo que as pessoas acreditam de forma sobrenatural ou extraordinária, mesmo sem encontrar apoio em pensamentos religiosos.

São vários tipos de superstições. Alguns deles, até mesmo associados a bichos de estimação. Há quem diga que agosto é o chamado mês de cachorro louco; uma crença popular difundida com tanta ênfase em alguns municípios do País, que muitos deles aproveitam o fato para realizar campanhas de vacinação antirrábica, a fim de que as pessoas não se esqueçam disso.

Esses mitos vão sendo transmitidos de geração a geração, principalmente entre os cidadãos mais humildes, geralmente deixados à margem do conhecimento científico. É um modo de pensar que tende a ser incorporado no dia a dia das pessoas, sendo transformado em hábitos e comportamentos. Acredita-se também que as crendices e superstições sejam, ainda, vestígios de um passado não tão remoto, no qual o ser humano tinha uma visão mágica do mundo, imaginando que diversos fatores sobrenaturais podiam interferir diretamente em seu cotidiano.

Em Portugal, terra das grandes navegações, por exemplo, era um costume as moças evitarem se casar em agosto, porque era nesse mês que os navios partiam à procura de novas descobertas. As futuras esposas, então, temendo a solidão ou viuvez, evitavam marcar casamentos nesse período. A mesma crença foi disseminada pelos colonizadores portugueses que chegaram ao Brasil, em 1500. E tal ideia foi sendo transmitida de pai para filho por muito tempo.

Vários fatos históricos contribuíram para alimentar a má fama em torno do oitavão mês do ano. No século passado, é possível citar o início da Primeira Guerra Mundial (1/8/1914); a explosão da bomba atômica em Hiroshima, no Japão (6/8/1945) e a divisão da Alemanha em duas, com o início da construção do Muro de Berlim (13/8/1961).


O medo da sexta-feira 13

Além de toda mística que gira em torno do mês de agosto, este ano há um fator considerado ainda pior pelos mais supersticiosos. O fato de ele vir acompanhado de uma sexta-feira 13, vista como dia de má sorte para muitos. Versões de estudiosos dão conta de histórias que teriam contribuído para que esse mito se espalhasse. Uma delas é a associação deste dia da semana, em que Jesus Cristo foi crucificado (sexta-feira), com o 13 – o número de membros da Santa Ceia (Ele e os 12 apóstolos), entre eles, Judas Iscariotes, o traidor.

Há quem diga, ainda, que Jesus Cristo provavelmente foi morto em uma sexta-feira 13, uma vez que no calendário hebraico a Páscoa judaica é celebrada no dia 14 do mês de Nissan. Lendas da antiguidade também teriam alimentado o medo em torno dessa data, por conta da crença de que as bruxas andavam soltas às sextas-feiras e que o 13, para elas, era um sinal de sorte, por ser esse o total de mudanças da lua durante o ano.

Superstições desse tipo, muitas vezes, atrapalham a vida das pessoas. Não são poucos os que deixam de tomar certas atitudes em uma sexta-feira 13, ou mesmo os que evitam lugares em que tal numeral esteja presente, como em CEPs e números de residências e até andares de edifícios, por exemplo.

Esta maneira de pensar, no entanto, é totalmente contrária à razão, que analisa as relações das causas imediatas e tenta descobrir as leis naturais que regem as coisas. Por falta de conhecimento dos motivos e efeitos de determinados fenômenos científicos, muita gente atribui a determinados comportamentos explicações sem sentido racional e, portanto, falsos.

O jardim do inimigo | (3/6)