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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Livro - Davi, um homem segundo o coracão de Deus

1DAVI – HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS
DADOS GERAIS

Davi é o nome do maior rei de Israel e o ancestral
humano do Senhor Jesus. Sua história, suas realizações e
seus problemas receberam um tratamento extensivo, de 1
Samuel16 a 2 Reis 1 e em 1 Crônicas 2 a 29. O significado do
nome ainda é incerto. A conexão com a palavra acadiana
dãwidûm (chefe, comandante) é atraente, embora duvidosa. É
mais provável que esteja associado com a raiz hebraica dwd
(amor), para dar o significado de "amado". Alguns sugerem que
Davi seja um cognome real e que seu nome é Elanã (Heb.
"Deus é gracioso"), o herói que matou Golias (2 Sm 21:19).
Embora essa solução possa resolver a aparente discrepância
entre 1 Samuel17, cujo texto relata que Davi matou Golias, e 2
SamueI21.19, o qual menciona que foi Elanã quem matou o
gigante, cria outro problema: por que então Elanã seria
relacionado na lista dos heróis de Davi? Outra sugestão é feita
a partir de 1 Crônicas 20:5, que identifica Elanã como o herói
que matou Lami, irmão de Golias. Desde que não se tem
certeza se foi em 2 Samuel 21:19 ou em 1 Crônicas 20.5 que
houve uma corrupção textual, a identificação de Elanã é
incerta.

ANTECEDENTES
Davi era o mais novo dos oito filhos de Jessé, um
efrateu de Belém (1 Sm 17:11,12). Jessé era descendente da
tribo de Judá e bisneto de Boaz e Rute, a moabita (Rt 4:18-22;
cf. 1 Cr 2:1-15; Mt 1:2-6; Lc 3:31-38).
Na juventude, Davi cuidava dos rebanhos da família.
Como pastor, aprendeu a cuidar dos animais, bem como a
protegê-Ias dos predadores. Essa experiência o ensinou a
depender do Senhor, conforme afirmou para Saul: "O Senhor
que me livrou das garras do leão, e das garras do urso, me
livrará da mão deste filisteu" (1 Sm 17:37).
Davi era também um bom músico. Quando Saul
2
sofria de depressão e crises de melancolia, seus servos,
conhecendo a reputação desse jovem, mandaram chamá-Ia (1
Sm 16:16). Um deles disse: "Vi um filho de Jessé, o belemita,
que sabe tocar bem, e é forte e valente, homem de guerra,
sisudo em palavras, e de boa aparência. E o Senhor é com ele"
(v. 18). Esse texto relaciona várias características de Davi: seu
talento musical, sua bravura, eloquência, boa aparência, mas,
acima de tudo, a presença do Senhor em sua vida.

DAVI ELEITO POR DEUS PARA SER REI
Davi era notável, tanto por seu amor a Deus como
por sua aparência física (1 Sm 16:12). Depois que Saul foi
rejeitado por seus atos de desobediência (1 Sm 15:26), o
Senhor incumbiu Samuel da tarefa de ungir um dos filhos de
Jessé. Os mancebos passaram um por vez diante do profeta,
mas nenhum deles foi aprovado por Deus. Depois que os sete
mais velhos foram apresentados a Samuel, ele não entendeu
por que o Senhor o enviara a ungir um rei naquela casa. O
profeta procurava um candidato que se qualificasse por sua
estatura física. Afinal, anteriormente tinha dito ao povo que
Saul preenchia os requisitos, devido à sua bela aparência:
"Vedes o homem que o Senhor escolheu? Não há entre o povo
nenhum semelhante a ele" (1 Sm 10:24).
Jessé disse a Samuel que seu filho mais novo,
chamado Davi, ainda cuidava dos rebanhos. Depois que foi
trazido diante do profeta, ele teve certeza que aquele jovem
atendia aos padrões de Deus, pois "o Senhor não vê como vê o
homem. O homem olha para o que está diante dos olhos,
porém o Senhor olha para o coração" (1 Sm 16:7). Davi
recebeu duas confirmações de sua eleição: Samuel o ungiu
numa cerimônia familiar e o Espirito do Senhor veio sobre ele
de maneira poderosa (v.13).

DAVI COM SAUL
Os caps. 16 a 31 de 1 Samuel são uma antologia
solta de histórias, que, como coletânea, receberam o título de
3
"A história da exaltação de Davi". O propósito dessas
narrativas é defender Davi das acusações de ter agido de
maneira subversiva, usurpando o trono da família de Saul,
sendo responsável pelas mortes de Saul, Jônatas, Abner e Is-
Bosete. Deus operava claramente em todas as circunstâncias
da vida de Davi, que o elevaram da posição de pastor de
ovelhas a músico no palácio do rei, de lutar contra animais
selvagens até suas vitórias sobre os filisteus e de herói
nacional a refugiado político.
Primeiro, Davi foi convidado para servir ao rei Saul
como músico. Saul sofria de melancolia, porque o Espírito do
Senhor o abandonara (1 Sm 16:14). Na corte, Davi agradou ao
rei, o qual o nomeou seu escudeiro (v. 21).
Segundo, Deus agiu rapidamente, quando os
filisteus atacaram Israel (1 Sm 17). O gigante filisteu, chamado
Golias, desafiava Saul e todo o Israel várias vezes por dia,
por um espaço de 40 dias (1 Sm 17;16). Aconteceu
de Davi levar suprimentos para seus irmãos que estavam no
acampamento de guerra e teve oportunidade de ouvir o desafio
do gigante. Movido por seu zelo pelo Senhor, seu amor pelo
povo e pela alta recompensa - riqueza, casamento com a filha
do rei Saul e a isenção de pagar impostos - Davi apresentou-se
como voluntário para enfrentar Golias naquela batalha. O
Senhor estava com ele. Davi triunfou sobre o filisteu, ao matá-
Ia com uma funda e uma pedra (1 Sm 17.50).
Terceiro, Davi foi convidado para morar no palácio
real (1 Sm 18.2). Os membros da família do rei o amavam. “A
alma de Jônatas ligou-se com a de Davi, e Jônatas o amou
como à sua própria alma" (v. 1). Este filho de Saul chegou ao
ponto de fazer uma "aliança" com Davi (v. 3). Como expressão
de seu profundo amor e respeito pelo filho de Jessé, deu-lhe
suas roupas e armadura (v. 4). Mical também amava Davi (v.
20).
Como sempre acontece, quando muitas coisas boas
surgem, a fortuna tornou-se em sina. A fama de Davi cresceu
rapidamente. Por toda a nação, as mulheres louvavam seu
nome e faziam comparações positivas entre o jovem e o rei:
4
"Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares"
(1 Sm 18:7). Esse contraste suscitou o ciúme do rei (v. 8). Ele
sabia que seus dias como monarca estavam contados e tinha
de proteger o trono para sua família. Assim começaram as
atitudes de hostilidade explícita contra Davi. O narrador de 1
Samuel escreveu: "Daquele dia em diante, Saul trazia Davi sob
suspeita" (v. 9).
O ciúme de Saul deixou-o cego. Foi extremamente
desleal, pois voltou atrás em sua promessa de dar a filha mais
velha, Merabe, em casamento a Davi (1 Sm 18:17). Exigiu que
o jovem enfrentasse os filisteus em batalha, na esperança de
que perdesse a vida. Davi, ainda relutante em aceitar casar-se
com um membro da família real, procurou imediatamente
agradar ao rei. Nesse meio tempo, Merabe foi dada a outro
homem (1 Sm 18:19). De maneira vil, Saul desafiou-o a
demonstrar sua bravura e seu valor novamente, mediante a
matança de 100 filisteus, como um tipo de dote. Estava
aborrecido por ser obrigado a dar Mical como esposa para
Davi, porque sabia que o Senhor estava com ele e via o amor
da filha por Davi como traição contra seu reinado (1 Sm 18:28).
Quarto, por meio de sua amizade como filho do rei,
Davi foi avisado com antecedência do profundo ódio de Saul
contra ele, bem como de seus planos de matá-Ia. Jônatas
amava de verdade o filho de Jessé (1 Sm 19:1) e não se
preocupava com suas proezas militares, nem com sua
crescente popularidade. Intercedeu em favor dele e o convidou
para voltar ao palácio (v. 7), mas gradualmente percebeu que
seu pai realmente estava determinado a matá-lo. O rei fez
algumas tentativas para eliminar Davi no palácio (v. 10) e até
mesmo na própria casa do genro (v. 11). Davi e Jônatas foram
obrigados a se separar. O filho do rei sabia que Davi corria
risco de vida; compreendia também que Deus tinha um plano
especial para a vida do amigo. Os dois fizeram uma aliança
para toda a vida e se separaram (1 Sm 20:16,42).

SAUL CONTRA DAVI
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Saul fez tudo para livrar-se de Davi. Expulso da
corte, o filho de Jessé buscou refúgio junto a Aquis, rei filisteu
de Gate. Temeroso de que a boa vontade do anfitrião mudasse
a qualquer momento, foi para Adulão (1 Sm 22). Ali, liderou um
bando de foras-da-lei. Trouxe sua família para a segurança de
Moabe e retomou, a fim de enfrentar os perigos de sua vida de
exilado. Qualquer um que tentasse colaborar com Davi era
morto por Saul, como aconteceu com os sacerdotes de Nobe
(1 Sm 21 a 22). Para onde quer que ele fosse, o rei ficava
sabendo e o perseguia.
Enquanto isso, o apoio a Davi crescia cada vez mais
Bandidos muitos deles guerreiros habilidosos, reuniram-se a
ele. Abiatar, um sacerdote que. escapou do massacre. Em
Nobe, e o profeta Gade também se uniram a Davi. Este; por
suas muitas façanhas, fazia com que as pessoas ficassem em
débito para com ele, Reduziu a ameaça dos filisteus, como fez,
por exemplo, em Queila (1 Sm 23). Ele e. seu Homens também
tornaram-se defensores dos moradores de Judá que eram
constantemente. ameaçados por saqueadores estrangeiros e
viviam da parte que recebiam das colheitas, rebanhos e do
gado que ajudavam a proteger. Nem todos os criadores.
porém, estavam dispostos a compartilhar com eles alguma'
coisa. Nabal, um rico fazendeiro, tinha recebido tal proteção' de
Davi e seus homens, mas• era avarento, demais 'para
recompensá-los pelo trabalho (1 Sm 25). O filho de Jessé ficou
furiosos mas. Abigail, esposa de Nabal, foi ao seu encontro
com vários presentes. Depois da -morte do marido, ela se
tornou esposa de Davi (1 Sm 25:42).
Por duas vezes Davi teve oportunidade de vingar-se
de Saul, mas, ao invés de matá-lo, poupou sua vida. Sua
existência tomou-se tão opressiva que foi obrigado a buscar
refúgio com Aquis, rei de Gate, Recebeu a cidade de Ziclague
para morar com seus homens, de onde-ajudava Saul a reduzir
as forças dos filisteus (1 Sm 27). Aquis tinha tamanha
confiança na lealdade de Davi, que o levou consigo como
.parte de suas tropas numa batalha em Gilboa, contra os
israelitas (1 Sm28).Os filisteus não deveriam ficar apreensivos
pelo conflito. de interesses; Davi lutaria contra seu próprio povo
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(1 Sm 29). No entanto, ele retomou a Ziclague e descobriu que
a cidade fora saqueada e incendiada e a população, levada
cativa pelos amalequitas. Enquanto os filisteus esmagavam os
israelitas no norte, Davi perseguiu os invasores e colocou um
fim em suas hostilidades.

DAVI É EXALTADO AO REINO
Saul e Jônatas foram mortos na batalha em Gilboa (2
Sm 1:4): Ao invés de .comemorar este acontecimento, Davi
chorou pelo rei e por seu amigo (28m 1.19-27). As notícias
sobre a morte de Saul correram rápido, mas as reações foram
bem diferentes em todo país. As tribos do Norte reconheceram
Is-Bosete, filho do rei; como o legítimo representante do trono
(2 Sm 2:8,9). A tribo de Judá permaneceu leal a Davi e
separou-se dá União, ao tornar Hebrom a capital do novo
treíno (2 Sm 2:3,4).
Não demorou muito para que o povo descobrisse. a
incompetência de Is-Bosete. Abner, seu comandante militar,
junto com outros cidadãos importantes, procurou Davi e abriu
negociações com ele; as quais foram interrompidas quando
Joabe assassinou Abner, em vingança pela morte, de seu,
irmão. O enfraquecimento do Norte encorajou a morte de
Isbosete e as tribos, voltaram à união sob o reino de Davi (2
Sm 5:11-3.); .
Esse reino, agora unificado, primeiro teve Hebrom
como seu centro. Mas, desejoso de ter uma localização melhor
e reconhecedor do problema estratégico .gerado pela
proximidade dos cananeus, Davi determinou 'a conquista de
Jerusalém. A cidade nunca pertencera aos israelitas e
localizava-se: num, ponto estratégico, em um cruzamento entre
leste e o oeste, o norte e o sul. Joabe o comandante militar,
liderou uma campanha bem-sucedida contra aquela localidade
e a conquistou para o rei.
Davi consolidou seu reino, ao fazer de Jerusalém
sua capital administrativa. Era uma cidade neutra, pois não
tinha qualquer ligação especial nem com as tribos do Norte
nem com as do Sul (2 Sm 5:9,10). O crescimento do poderio de
7
Davi não passou despercebido. Hirão, rei de Tiro, enviou seus
carpinteiros e pedreiros, a fim de construir um' palácio para ele
(2 Sm 5.11). Esse ata firmou o relacionamento entre os dois
reis; Por incrível que pareça, o fortalecimento da posição do
filho de Jessé ameaçou a paz relativa de que Israel gozava. Os
filisteus não perturbaram o país durante os dois primeiros anos
do reinado' de Davi. Com o 'crescimento de seu poder.
entretanto, decidiram acabar com sua grande popularidade. O
rei resistiu a cada ataque com sucesso e finalmente definiu a
fronteira do reino na planície costeira (2 Sm 5:19-25).

JERUSALÉM COMO CENTRO DO REINO DE DAVI
A paz estabelecida em Israel encorajou Davi a
persuadir as tribos a reconhecer Jerusalém corno centro
religioso, ao levar para: lá a Arca da Aliança, o símbolo central
do relacionamento 'e' da aliança do povo com Deus (2 Sm 6).
Após encontrar descanso em Jerusalém, Davi buscou a
aprovação do Senhor para providenciar um centro definitivo ao
culto e à adoração em Israel, por meio da construção de um
Templo (2 Sm 7). Deus modificou a oferta de Davi, pois
concedeu a ele uma "casa" (dinastia) e permitiu que seu filho
construísse uma "casa" permanente para o Senhor. Apromessa
de uma dinastia foi incorporada a uma aliança de
concessão. A proposta concedia' a Davi um lugar perpétuo no
reino de Deus, ao colocar sobre ele o privilégio de' ser um
"filho" de Deus. O Salmo 2 celebra a condição- do. filho como
o que. experimenta uma posição privilegiada• e recebe
autoridade para estabelecer o reino de Deus (veja SI 72),
submeter as nações, quando necessário pela força, e trazer as
bênçãos do Senhor sobre todos os fiéis, em todas as partes da
Terra. Essas promessas cumprem a aliança que Deus fez com
Davi. O Pacto Davídico é uma administração soberana, feita
pela graça, segundo a qual o Senhor ungiu Davi e sua casa
para estabelecer seu reino e efetivamente trazer um reinado de
paz, glória e bênção. Jesus e os apóstolos afirmaram que
essas•'11fomessaS-encontram seu foco e recebem sua
confirmação em Cristo (o "Messias"). Ele é o "ungido" que
recebeu autoridade e poder (Mt 28:20; At 2) do alto sobre toda
8
a criação, inclusive a Igreja (Cl 1).
Encorajado pelas promessas .de Deus e feliz pela
consolidação do destaque de Israel entre as nações, Davi
seguiu adiante. Fortaleceu Jerusalém, desenvolveu uma
administração . de . governo centralizada, expulsou as forças.
invasoras e foi. agressivo no estabelecimento da. paz em
Israel. Subjugou os filisteus; moabitas; edomitas-e amonitas (2
Sm 12.29-31). Cobrou impostos dos arameus e das nações
que decidiu não subjugar (2 Sm 8;10). Depositou a maior parte
dos tributos e espólios no fundo para a construção do Templo
(2 Sm 8:11,12) Embora fosse severo' em sua justiça para com
as nações, o rei foi generoso no trato com Mefibosete filho de
Jônatas. Providenciou-lhe um lugar e garantiu-lhe um sustento
vitalicio (2 Sm:9). Provavelmente esse período foi marcado por
uma severa crise de fome (2 Sm21.1). A dificuldade era tão
grande que Davi pediu uma explicação ao Senhor. Foi-lhe
revelado que a escassez de alimento. era resultado do juízo de
Deus. pelo equivocado zelo de Saul; ao tentar aniquilar os
gibeonitas (2 Sm 21.2), povo -que- buscara e recebera
proteção de Israel, na época. de Josué Os 9.15,:1.8-26). A
morte de sete descendentes de Saul, sem incluir Mefibosete,
satisfez a exigência de justiça feita pelos gibeonitas;' Deus
graciosamente removeu a maldição . e renovou ai terra com
chuva abundante. Davi levou os ossos de Saul, Jônatas e dos
sete. que foram morto se os enterrou na sepultura de Quis (2
Sm 21.14).

A QUEDA DE DAVI
A partir deste ponto, a história de Davi é uma mistura
de tragédia e providência divina. Ele se tornou um personagem
trágico. Elevado pela graça de Deus a uma posição de imenso
poder, desejou ardentemente Bate-Seba, com quem teve
relações sexuais; ao saber que estava grávida, tentou encobrir
seu pecado, ordenou que Urias, o marido dela, fosse morto no
campo de batalha e casou-se com ela legalmente (2 Sm 11). O
profeta Natã proferiu um testemunho profético, condenando a
concupiscência e a cobiça de Davi e seu comportamento vil (2
Sm 12). O rei confessou seu pecado e recebeu perdão (2 Sm
9
12.13; cf. S132; 51), mas sofreu as consequências de sua
perfídia pelo resto da vida. O bebê que nasceu da união com
Bate-Seba ficou doente e morreu.
Consequentemente, Davi experimentou instabilidade e morte
em sua família. Amnom violentou a própria irmã, Tamar, e
causou a desgraça dela (2 Sm 13); foi assassinado por
Absalão, irmão da jovem. Este fugiu para salvar a vida e
permaneceu exilado por dois anos. Davi almejava revê-lo e foi
encorajado por Joabe, O qual o enganou, ao forçá-lo a seguiu
um conselho que lhe fora dado por uma mulher de Tecoa. Esta,
orientada por Joabe, fora ao rei pedindo proteção para o filho
que assassinara o irmão. Joabe trouxe Absalão de volta, mas
não ao palácio real. Depois de dois anos, o filho do rei voltou
ao palácio, conquistou a simpatia do povo e pensou numa
maneira de reconquistar o favor do pai (2 Sm 14).
Como resultado, Davi experimentou uma guerra civil
dentro do país. Absalão tivera tempo para elaborar planos, a
fim de perturbar a ordem. Durante quatro anos, preparara-se
cuidadosamente para o momento em que o povo o apoiaria,
em detrimento de seu velho pai. Absalão foi coroado rei em
Hebrom e rapidamente partiu em direção a Jerusalém (2 Sm
15). Davi saiu da capital com um grupo de seguidores e deixou
vários conselheiros de confiança para trás (Abiatar, Zadoque e
Husai). Husai dava conselhos equivocados a Absalão e
enviava mensageiros a Davi, a fim de informar todos os
movimentos dele (2 Sm 17). A guerra trouxe resultados
desastrosos para as forças do filho do rei, o qual morreu
pendurado em uma árvore pelos cabelos. A vitória foi clara,
mas Davi sofreu mais com a perda de Absalão do que sentiu
alegria pela vitória.
O rei voltou para Jerusalém com o apoio dos
habitantes do Sul do pais, os quais anteriormente haviam
seguido Absalão. As tribos do Norte sentiram-se traídas pela
falta de respeito demonstrada pelos moradores do Sul, pois
elas também tinham apoiado o rei e dado a extensão de seu
território nas mãos dele; por isso, precisavam ser ouvidas. A
tribo de Judá alegou que o rei lhes pertencia e ofendeu os
10
habitantes do Norte com a sua insolente arrogância (2 Sm
19.40-43).
Consequentemente, a união entre as tribos ficou
enfraquecida ao extremo. A dissidência rapidamente cresceu e
culminou em outra guerra civil, sob a liderança de Seba, filho
de Bicri, da tribo de Benjamim. Davi enviou Amasa para
recrutar guerreiros de Judá, a fim de sufocar a rebelião. Como
este demorou muito a retornar, o rei comissionou Abisai para
perseguir Seba. (Joabe perdera o favor do rei e o cargo, por ter
matado Absalão, e agora estava sob as ordens de Abisai.)
Quando Amasa, que se aliara a Seba, e Joabe se encontraram,
este o matou e reassumiu o comando das tropas. Perseguiu a
Seba até Abel-Bete-Maaca e sitiou a cidade. Uma mulher sábia
salvou a cidade, ao comprometer-se a atirar a cabeça de Seba
por cima do muro. Joabe retornou a Jerusalém como general.
com o crédito de ter acabado com a rebelião (2 Sm 20.23).

OS ÚLTIMOS DIAS DE DAVI
No término de sua vida, Davi tinha realizado o
objetivo de solidificar Israel contra os filisteus, ao sudoeste; os
edomitas, ao sudeste; os moabitas e amonitas, ao leste; e os
arameus, ao norte. Havia estendido seu reino por todas as
áreas da terra que fora prometida a Abraão (Gn 15.18,19).
Desenvolveu uma administração eficiente, pela qual era capaz
de governar esse vasto império. Um excelente exército era
mantido constantemente de prontidão, para assegurar a paz e
a estabilidade dentro do reino. Por causa de seu sucesso, Davi
confiou em si mesmo e decidiu fazer um censo.
Isso desagradou ao Senhor, que enviou uma praga
contra o reino. O próprio rei foi o responsável pela morte de
muitos inocentes. Por isso, comprou um campo e ofereceu um
sacrifício a Deus, que expressava arrependimento por sua
presunção. Esse local, a eira de Araúna, no futuro se tornaria o
lugar onde Salomão construiria o Templo (2 Sm 24.1-25).
Davi ordenou que Salomão fosse ungido rei, após
ouvir que seu filho Adonias fizera uma tentativa de usurpar o
trono (1 Rs 1.1 a 2.12). Preveniu o seu sucessor sobre várias
11
pessoas que poderiam comprometer a estabilidade de seu
reinado: Joabe, o comandante, e Simei, o rebelde (1 Rs
2.5,6,8,9). Incumbiu-o de permanecer fiel a Deus, porque no
Senhor estava a fonte do poder e a perpetuidade da dinastia.

CONCLUSÃO
Davi era humano, mas permaneceu fiel ao Senhor
durante toda sua vida. Embora tenha pecado tragicamente
contra Deus e o próximo, era um homem humilde. A sua força
estava no Senhor, desde o princípio até o fim de seus dias. Os
salmos atribuídos a ele falam desta verdade. Tal afirmação
sobre sua confiança em Deus é também encontrada no final de
2 Samuel: "O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o
meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, em quem me
refugio; o meu escudo, e força da minha salvação. Ele é o meu
alto retiro, meu refúgio e meu Salvador - dos homens violentos
me salvaste" (2 Sm 22.2,3). Os cânticos compostos por ele
também trazem a correlação entre a humildade, a obediência e
a bondade de Deus. Conforme Davi escreveu: "Com o puro te
mostras puro, mas com o perverso te mostras sagaz. Livras o
povo humilde, mas teus olhos são contra os altivos, e tu os
abates" (2 Sm 22.27,28). O Senhor não apenas mostrou seu
poder para Davi e seus contemporâneos, mas também
comprometeu-se a proteger todo o seu povo por meio do
ungido, que descenderia do referido rei. Essa é a essência da
Aliança Davídica.
Os escritores do NT testemunham sobre a conexão
entre Davi e Cristo. A genealogia de Jesus recua até o filho de
Jessé (Mt 1.1). Ele é o governante sobre o trono de Davi, cujo
reino se estende até os confins da Terra. É o cabeça da Igreja
(CI 1.18) e trará todas as nações ao conhecimento de sua
soberania (1 Co 15.25; cf. At 2.35). Ele estabelecerá o reino de
Deus sobre a Terra (1 Co 15.27,28) e, por esse motivo, cumpre
as promessas em benefício de todo o POVQ do Senhor, tanto
judeus como gentios.

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